Solução para evitar cegueira em astronautas é criada por alunos de Pirajuí

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Um projeto desenvolvido por um grupo de alunos de uma escola de Pirajuí, no interior de São Paulo, foi pensado para ser uma solução para astronautas, no entanto, poderá ajudar a melhorar a vida de outras pessoas.

Solução para evitar cegueira em astronautas é criada por alunos de Pirajuí

Um projeto desenvolvido por um grupo de alunos de uma escola de Pirajuí, no interior de São Paulo, foi pensado para ser uma solução para astronautas, no entanto, poderá ajudar a melhorar a vida de outras pessoas.

A equipe “Pingostorms” descobriu que 80% dos astronautas que retornam das missões espaciais voltam com papiledema, um edema no disco óptico, por conta da pressão intracraniana, relacionado com a microgravidade. A ideia foi adaptar uma válvula utilizada em pessoas com hidrocefalia, que faz uma descompressão do crânio, e implantá-la nos astronautas para evitar a cegueira. 

Os alunos fizeram pesquisas, leram artigos, tiveram a ajuda de neurocirurgiões, físicos, oftalmologistas, tudo para garantir que a solução, de fato, funcionaria no caso dos astronautas. A pesquisa do grupo mostrou que a microgravidade deixa o astronauta até 10 centímetros mais alto, causando uma vasoconstrição, que dificulta a reabsorção do Líquido Cefalorraquidiano (Líquor). A função desse líquido é envolver o cérebro e a medula espinhal, funcionando como um amortecedor, além de carregar nutrientes e eliminar toxinas.

Com a microgravidade e o problema de reabsorção, o Líquor acumula na cabeça e na medula espinhal, causando uma pressão intracraniana. O mesmo ocorre com pessoas com hidrocefalia. A expectativa do grupo é poder usar o projeto também para melhorar a vida de quem tem a doença. Capitão do time, que conta ainda com outros três integrantes, um técnico e dois mentores, Nicolas Faria Macêdo, 10 anos, afirma que a equipe está feliz por conseguir associar duas soluções em um projeto. “É muito interessante porque além de ajudar astronautas na sua missão, também pode ajudar pessoas com hidrocefalia aqui na terra. E pode melhorar a vida das pessoas, ajudar elas”, defende o menino.

Nicolas conta que o aprendizado tem sido grande com o experimento, que será apresentado no Torneio SESI de Robótica FIRST® LEGO® League, entre os dias 15 e 17 de março, no Rio de Janeiro. “Tem algumas coisas aqui que aprendi que não consegui aprender na escola. E como mexo com robótica estou com sonho de ser engenheiro”, conta o estudante. Nicolas acredita ainda que ganhar o torneio não é a coisa mais importante. “Ganhando ou não, vai ser uma experiência muito boa, porque é minha primeira vez em campeonato indo para o nacional”, comemora.

Funcionamento

O técnico do projeto, o professor de Robótica Educacional Hugo Dias Legramandi, explica que o intuito da solução criada pela equipe é facilitar a cirurgia de colocação da válvula e deixar o procedimento mais eficiente. Hoje, em pessoas com hidrocefalia. A válvula é colocada atrás da orelha.

Por conta da hidrocefalia, o Líquor pode ter impurezas, que podem entupir a válvula, necessitando de nova cirurgia para retirada e implantação de uma nova. Como os astronautas não terão esse problema, a equipe pensou em mudar o local de implantação da válvula, para facilitar a retirada do Líquor.

Com as pessoas com hidrocefalia aqui na terra, ela retira da cabeça (o Líquor) e isola no estômago. No astronauta, na nossa solução, será ligado (a válvula) diretamente no final da medula, no final das costas, e você consegue ter um caminho muito menor, essa válvula funcionará menos vezes e você vai conseguir que tenha eficiência por longo prazo, que é o que o astronauta precisa, porque ele não vai poder substituir ela no espaço”, explica o instrutor.

A solução é preventiva e por isso não precisará de manutenção. Não adiciona peso extra, o que economiza combustível no espaço, tem baixo custo de produção, quando comparado aos custos de uma missão espacial e ainda pode enviar informações sobre o corpo de quem está usando, via sinal de wi-fi. A equipe apresentará um protótipo da válvula durante o Torneio de Robótica.

Ciência e tecnologia

O Torneio SESI de Robótica FIRST® LEGO® League é realizado no Brasil há mais de 10 anos e, a cada ano, tem um tema central. Em 2019, a temática é Into Orbit. Os participantes terão que trabalhar em cima de soluções para as problemáticas que envolvem o espaço e desenvolver facilitadores para a vida dos astronautas. League é um programa internacional de exploração científica, projetado para fazer com que crianças e jovens de 9 a 16 anos se entusiasmem com ciência e tecnologia e adquiram habilidades de trabalho e de vida.

O torneio propõe que estudantes sejam apresentados ao mundo da ciência e da tecnologia de forma divertida, por meio da construção e programação de robôs feitos inteiramente com peças da tecnologia LEGO.

A competição de robótica pode ser usada no ambiente escolar, mas não é projetada exclusivamente para esse propósito. Os jovens podem estar associados a uma escola, um clube, uma organização ou simplesmente ser formado por um grupo de amigos, desde que liderados por dois técnicos adultos. O SESI é responsável pela operação oficial do torneio no país.

fonte: agenciaradio

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