Primavera de Prevenção ao Suicídio

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Uma das frases do jornalista me chamou bastante atenção. Ele dizia que "o índice de suicídio aumenta porque vivemos em uma sociedade que não tem mais tempo para se relacionar, conversar".

Primavera de Prevenção ao Suicídio

Estava assistindo um telejornal que falava sobre o problema do suicídio e a importância de dedicar um mês do ano (setembro, no caso) para intensificar as campanhas de prevenção ao suicídio. Uma das frases do jornalista me chamou bastante atenção. Ele dizia que "o índice de suicídio aumenta porque vivemos em uma sociedade que não tem mais tempo para se relacionar, conversar". Até compreendo qual foi a ideia do jornalista ao formular essa frase, mas, sinceramente, acredito que o problema não está nisso.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 3.000 pessoas por dia cometem suicídio no mundo, o que significa que a cada 30 segundos uma pessoa se mata.

O suicídio é responsável por 5,6 mortes em cada 100.000 jovens entre 15-29 anos no Brasil, sendo, então, umas das três principais causas de morte entre jovens no país. Sem contar, o crescente número de pastores/líderes religiosos que têm ceifado suas próprias vidas. O fato é que estamos falando de um assunto muito sério e preocupante.

Segundo pesquisas, entre as principais causas do suicídio estão: solidão, depressão; transtornos mentais (ansiedade intensa, esquizofrenia, transtorno bipolar, etc...); presença de doenças letais (câncer, doenças degenerativas, AIDS); problemas conjugais e de relacionamento, dificuldades financeiras ou profissionais, bullying, luto ou perdas afetivas, abuso de álcool ou drogas e, crises existenciais ou de identidade.

A Bíblia também traz narrativas de suicídio.

O primeiro foi o de Abimeleque, filho de Gideão, que ordenou a seu escudeiro que lhe traspassasse com sua espada por vergonha (Cf. Jz 9.50-56); O segundo exemplo é o do Rei Saul que lançou-se sobre a própria espada e tirou sua vida (Cf. 1 Sm 31.1-6); O terceiro caso de suicídio é o do juiz Sansão, ele, literalmente, derrubou o prédio sobre si e sobre cerca de 3000 filisteus (Cf. Jz 16.23-31); Um quarto exemplo de suicídio é o de Aitofel, conselheiro de Davi, ele se enforcou (Cf. 2 Sm 17.23); No quinto exemplo, o Rei Zinri, ele entrou no castelo do palácio real e pôs fogo a seu redor (Cf. 1 Rs 16.15-19); Judas, o discípulo de Jesus, é o sexto caso de suicídio nas Escrituras. Depois de trair o Senhor e perceber o que havia feito, se enforcou (Cf. Mt 27.3-10).

Quando observo todas essas situações, percebo que muitas pessoas estão depositando a razão de suas existências naquilo que é efêmero, naquilo que é incapaz de satisfazer os anseios existenciais. É como se as pessoas estivessem construindo espécies de bezerros de ouro, ídolos, até palpáveis, mas que não falam, não se relacionam, não completam ninguém.

A humanidade, na maioria das vezes, está atrás de gratificação. Correm atrás de dinheiro (e muito), beleza televisiva, holofotes, atenção, controle, satisfação completa em seus relacionamentos e por aí vai... então, quando esses desejos são frustrados, as reações são as mais variadas: desde um comum aborrecimento até o desespero do suicídio.

Infelizmente (ou felizmente) a história nos diz que as nossas expectativas terrenas jamais serão completamente satisfeitas, trocando em miúdos, você e eu vamos nos decepcionar e, em algum momento, teremos as nossas expectativas frustradas. A diferença está em como lidamos com isso. Algumas pessoas ficam tristes, mas se levantam e continuam a vida porque sabem que a razão de existir não está pautada nessas questões, outras pessoas, acabam entrando em colapso e o desespero angustiante passa a ser seu companheiro. Pessoas assim, vivem em um mundo "preto e branco", vivem uma espécie de inverno contínuo e precisam de ajuda. Que ajuda é essa?

O apóstolo Paulo nos diz:

"Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas." (Cf. 2 Coríntios 4.17,18).

Nós precisamos dizer para essas pessoas que há uma razão de viver além dessas coisas que se veem. Precisamos mostrar para essas pessoas que a primavera é uma estação que se pode viver agora, basta enxergar além do que se pode ver e viver para além do que se pode tocar. Precisamos ensinar para essas pessoas que a essência da vida não se encontra no "eu", mas Nele, Jesus Cristo, que viveu, morreu e se entregou por nós. O problema está na falta de relacionamento com Ele e não com os outros.

É necessário trocar as futilidades da vida presente pela utilidade do grande presente que é viver. Essa é a nossa maior razão de viver! Feliz primavera divina!

Que Deus nos abençoe. 

Pr. Segundo Almeida e pastor da Primeira Igreja Batista de Mogi das Cruzes

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