Perguntar não ofende ou Que saudade de Ernesto Varela

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Reconhecimento de Garibaldi e Anita na Itália e semelhanças com Che Guevara

Perguntar não ofende ou Que saudade de Ernesto Varela

Nas andanças por Ravenna, Itália reencontro um dos personagens da história mundial que mais me emociona, Giuseppe GARIBALDI, o revolucionário de dois mundos, pois lutou bravamente na Revolução Farroupilha no sul do pais e depois, na volta para Itália, conseguiu após muitas batalhas, libertar o seu país do jugo da igreja católica.

Junto tudo nesse meu texto, a citação do personagem histórico dessa América Latina que mais me toca, Ernesto Che Guevara, também outro revolucionário desses sem pátria, lutando onde ela se fizer necessária e igualmente como Garibaldi, desses homens imprescindíveis, principalmente no mundo de hoje.

Perguntar não ofende ou Que saudade de Ernesto Varela

E na junção da luta de ambos eis algo singular da luta do italiano Garibaldi e confirmada hoje aqui na cidade que o reverencia, sua luta de libertação foi contra o poder exercido na época pelo papa, ou seja, para amainar o poder quase absoluto da igreja católica. Che também lutou desbragadamente contra esse poderio que perverte mentes e torna os homens mais fracos, pois deixam de lutar e passam a crer em algo do outro mundo.

Podem muitos criticar a ambos, mas as lutas desses dois foi algo a colocá-los na história definitivamente. Hoje comprovei na prática, nas andanças por Ravenna o quanto Garibaldi é querido por aqui. Uma historiadora local que me diz, quando comento a semelhança com o latino Che, serem eles revolucionários “criminosos”.

Nada contra, pois o criminosos para ambos não é no sentido pejorativo do termo e sim, de algo mais do que necessário. Em momentos da história não existe outra alternativa para se mudar o rumo da situação, a não ser pegando em armas e indo á luta fazer o serviço mais do que necessário. Ambos fizeram isso e para conseguirem seus intentos, mortes pela frente. Do contrário, nada fariam. Daí o termo revolucionários “criminosos” ser algo muito bem assimilado pela História. Vá perguntar para um italiano se o que Garibaldi fez não era o necessário e faça o mesmo no caso dos cubanos para com Cuba.

Momumentos estão espalhados por toda Itália a reverenciar Garibaldi e aqui em Ravenna, onde me encontro, percorrendo hoje suas ruas, vejo alguns deles e o primeiro em todo o planeta, exatamente dez anos após sua morte.

Junto à Garibaldi, algo a enaltecer o Brasil, pois quando ele lutou em nosso país, trouxe consigo Anita, que veio a morrer de malária em seus braços. Uma praça bem no meio da cidade a reverencia e todos por aqui sabem de cor a história da revolucionária de Laguna (será que os brasileiros conhecem sua história...).

Ao tirar fotos numa praça, puxo conversa e o interlocutor me diz serem centenas as homenagens a eles mundo afora. “Tem até uma rua em Moscou, outra em Praga e assim por diante”, me diz. Circulei muito hoje por museus e igrejas e na qualidade de ateu ouvi uma explicação sobre isso de visitar igrejas mundo afora e ela me satisfez: “Vá a elas, principalmente as históricas, como as daqui, com mais de mil anos como se entrasse num museu e não num templo. As entenda desta forma, pois é assim que precisam ser entendidas e extraia delas a ampliação do seu conhecimento”.

Ravenna é uma das poucas cidades do período bizantino conseguindo preservar muito dos seus templos, museus e peças históricas. A explicação ouvi da guia turística a nos levar pelos templos cheios de peças milenares: “Ravenna foi durante um período centro das atenções e depois foi esquecida, permaneceu isolada e desta forma seus tesouros não foram objeto da cobiça, do saque e da destruição. Passou incólume por permanecer por longo período longe dos olhos mundo e isso a salvou”.

São observações que vou juntando, como a da mesma guia, profunda conhecedora da história de sua cidade: “Quanto mais estudo sobre religião, mais ateia fico”. Falávamos disso na rua, quando assim do nada, me deparo, depois de ver tantos monumentos para Garibaldi e Anita com uma inscrição numa parede no centro velho e histórico da cidade e isso me encheu de orgulho. Lá estava um “Che vive”. Ganhei o dia com esses dois e se já gostava de ambos, agora gosto mais ainda.

Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com).

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