O Tribunal dos iguais

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Com os corações entristecidos, eles resolveram confessar ao pastor da igreja que estavam traindo seus cônjuges. Eles estavam confessando que tinham um “caso”.

O Tribunal dos iguais

Com os corações entristecidos, eles resolveram confessar ao pastor da igreja que estavam traindo seus cônjuges. Eles estavam confessando que tinham um “caso”.

Ele comentou que o seu coração se enchia de lascívia e cobiça, todas as vezes que via aquela irmã servindo na recepção da igreja.

A aproximação entre eles aconteceu no Congresso de Oração, coincidentemente, eles foram escalados para trabalhar na mesma equipe. A conversa durante todo o congresso foi muito boa. Ficaram tão animados que trocaram números de celulares e estenderam a conversa para além da igreja: whatsapp.

Todos os dias se falavam. Descobriram que ambos estavam insatisfeitos com o casamento e acharam nessa amizade uma oportunidade para se “fortalecerem”. Acharam desculpas para conversarem mais e textos bíblicos (fora de contexto) para justificar as horas de conversa escondidas de seus respectivos cônjuges.

Em uma dessas conversas, ele comentou que acabou se declarando para ela e, imediatamente, ela disse que sentia o mesmo por ele. Marcaram um encontro depois do trabalho e, então, começaram um romance proibido: pecado!

Acontece que depois de 2 meses no pecado, eles não estavam se sentindo bem. “Não está certo o que nós estamos fazendo. Deus não está feliz com isso. Estamos estragando nossas vidas e famílias”. Ambos consentiram em acabar o relacionamento pecaminoso, confessar aos seus cônjuges seus pecados e confessar também ao pastor da igreja.

O pastor, então, perguntou: “Então, vocês estão arrependidos? Seus cônjuges já os perdoaram?”. “Sim!” – Ela respondeu – “Inclusive, eles estão lá no hall na entrada da igreja e se o sr. entender por bem em conversar com eles, tudo bem. Vale dizer, também, pastor, que nós já conversamos todos juntos. Não foi fácil, mas nos perdoamos. Jamais deveríamos ter feito o que fizemos”. O pastor com a Bíblia na mão, abre o texto de Mateus 18.15-20 e diz: “Vocês sabem que nossa igreja é uma comunidade saudável e bíblica. Então, a luz desse texto, vou precisar que vocês confessem tudo isso a igreja, em um dos nossos cultos, para ver se a comunidade perdoa o que vocês fizeram. Além disso, tenho certeza de que será uma lição a toda comunidade. A vergonha de vocês gerará temor e os membros se esforçarão mais para não pecar”.

Assustados, ele diz: “Pastor, isso é mesmo necessário? Toda cidade nos conhece e isso gerará problemas tremendos em nossas vidas”. O pastor diz: “Infelizmente é necessário! É bíblico! Vocês deveriam ter pensado nisso antes de pecar!”. Eles decidiram se submeter ao desejo do pastor.

Ao confessarem a igreja muitos ficaram cochichando. Outros com cara de assustados – com a mão na boca! Alguns irmãos se levantaram e saíram do templo indignados e alguns, gargalhando, diziam: “Eu já sabia”. No fim, levantou-se um irmão com ar de serenidade e foi até eles e os abraçou. Vários irmãos aplaudiram, o pastor orou e a reunião acabou. Mas os problemas apenas tinham começado. Muitos se afastaram deles e a notícia correu a cidade. Que prejuízo! Eles perderam e o reino perdeu.

Infelizmente, essa é uma prática recorrente em muitas igrejas que dizem ser esse tipo de disciplina uma marca de uma igreja saudável. Acontece que esse “show de horrores” não tem nada a ver com disciplina e muito menos com igreja saudável. O nome disso é “inquisição dos tempos modernos”.

A igreja não é chamada para expor pessoas; a igreja é chamada para tratar pecados. Na história acima, o nome de Deus não foi glorificado! Isso não passa de carnificina gospel; religiosidade pura. Farisaísmo contemporâneo. Ora, o casal estava arrependido. Já haviam confessado seus pecados ao Senhor e as pessoas interessadas. Agora, restava ao pastor o auxílio bíblico para “colher os cacos” e trabalhar na restauração daquilo que havia se quebrado.

A verdade é que o texto de Mateus 18 não está falando disso. Mateus 18 está falando de que pessoas obstinadas, ou seja, pessoas que não reconhecem seus erros, e mais, permanecem na prática pecaminosa, muitas vezes, influenciando irmãos da igreja ao pecado. Essas pessoas, mesmo assim, devem passar por processos de conversas que vão desde a instância das pessoas diretamente ofendidas até a liderança da igreja que busca leva-las a consciência do arrependimento; esgotadas as “instâncias”, esses indivíduos deverão ser conduzidos a igreja, que tentará (também), em amor, admoesta-los de seus erros e encoraja-los ao arrependimento. Se depois de todo esse processo, não houver arrependimento, a igreja entenderá que essas pessoas não querem fazer parte do corpo representativo de Cristo.

O que passar disso é cavilação!

Fomos chamados para cuidar, evangelizar, exortar e admoestar - sempre em amor; não para julgar, condenar, humilhar, expor e rejeitar! Lembre-se: Somos todos iguais! Somos todos pecadores e necessitados da graça de Deus (Cf. Romanos 3.23). Não fomos chamados para um tribunal! A religiosidade é um chamado ao julgamento e a condenação e, infelizmente, o tempero da religiosidade é o ego inflado de gente perversa que insiste em costurar o véu que Jesus - com grande compaixão e sofrimento - rasgou!
Que Deus nos abençoe.

Pr. Segundo Almeida, é pastor presidente da Primeira Igreja Batista de Mogi das Cruzes

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