O servo e o serviço sujo

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Gumercindo e Nisman, Macarrão e Bruno, Gregócio Fortunato e Getúlio Vargas

O servo e o serviço sujo

Na Argentina neste exato momento algo me surpreende, a história de Gumercindo e Nisman. O fiscal Nisman se suicidou dois anos atrás, pressionado pela infinidade de erros cometidos ao longo de sua vida, ora subordinado ao Estado Argentino, quem lhe pagava o soldo mensal, ora prestando serviços fora do expediente, fruto da ganância pessoal e assim, com benesses oferecidas por interesses externos, alguns vindo diretamente de órgãos obscuros dos EUA, que o bancavam para defender seus interesses.

Pressionado, estava para ter seus atos revelados, optando pelo suicídio. O desGoverno criminoso e neoliberal de Maurício Macri, mancomunado com um Judiciário subserviente ao seu poder de mando tentaram incriminar a ex-presidenta Cristina Kirchner, como mandante do crime. A intenção caiu por terra e hoje, quem está encalacrado até o pescoço com a morte do promotor é seu serviçal, um quase escravo, Gumercindo.

Esse fazia todo tipo de serviço para o fiscal, não existindo para isso, nem hora, nem questão. Totalmente subserviente, prestava serviços em tempo integral e de uma paga “X” proveniente de emprego público, arranjado por Nisman, era obrigado a devolver em espécie 50% ao patrão. Dias antes de se matar, liga ao serviçal e lhe impõe: “Me arrume um revolver. Traga carregado”. Sem possibilidades de questionar algo, como sempre agiu e sempre lhe foi imposto pelas condições do trabalho estabelecido entre as partes, o revólver lhe é entregue. De posse dele, Nisman se mata trancado no banheiro de seu apartamento. Como estava atuando em processos contra Cristina, sempre muito bem pago por grana advinda de lugares distintos de sua folha salarial, ela foi envolvida, mas como o absurdo não vingou, alguém precisaria ser culpabilizado por tudo. O Judiciário argentino se recusa a investigar o lado escuso do promotor: para quem prestava continência, muito além de quem lhe pagava o salário, pois isso fere os princípios do neoliberalismo, o que tudo faz para defenestrar qualquer um que ouse defender interesses populares.

Tanto lá na Argentina, como aqui no Brasil, o Judiciário perdeu qualquer resquício de credibilidade e hoje, ambos atuam aliados aos grupos instalados no poder, defensores intransigentes das leis de mercado e do neoliberalismo predatório. Aqui pretendem prender Lula sem provas e lá tentam fazer o mesmo com Cristina.

Aqui Lula não pode ser candidato, lá farão o mesmo com Cristina, mesmo ela sendo agora senadora. Vergonhoso papel o do Judiciário, o de lá e o de cá. A tristeza da semelhança das situações se completa se deparando com a situação de Gumercindo. Tantos iguais a ele são serviçais de poderosos, desses pagos para fazer tudo, desde limpar a bota e a bunda do patrão, como fazer qualquer tipo de serviço sujo. Não pensem que pessoas iguais a Gumercindo não existam aqui no Brasil. São muitos. Macarrão, aquele que servia ao goleiro Bruno é um exemplo. Fez o serviço sujo por devoção ao patrão. Desaparecidos daqui e da Argentina, alguns sem aparentes explicações, podem ser creditados a esse tipo de serviçais. Nas sombras e catacumbas dos jogos de poder, além desse inexplicável entrelaçamento do Judiciário com o que de pior temos na política, ainda temos os muitos Gumercindos e Macarrões, prontos para tudo, até por amor ao amo.

Seria isso uma das pérfidas partes de mais um ciclo do neoliberalismo? Muito antes disto, outra história, bem brasileira, no relacionamento entre Gregório Fortunato e o então presidente Getúlio Vargas. Ele, sem Getúlio saber, para não ver o patrão sofrer tentou matar um desafeto do presidente e se deu muito mal.

Vejo muita gente em torno de tantos políticos, empresários, figurões com grana e ao vê-los como agem, enxergo e penso qual seria o limite de sua atuação quando o patrão lhe der uma ordem? Cumprir ou cumprir. Como terra sem lei, em momentos onde a Justiça claudica e se mostra favorável aos grupos de poder, surgem de tudo, desde milícias, paramilitares e apaixonados políticos prontos para fazer a cagada em nome dos endinheirados. Tomar cuidado é pouco em tempos assim.

Será possível existir gente paga para fiscalizar e legislar no Brasil e pronto para se vender aos interesses externos? E esses teriam Gumercindos ao seu dispor? Penso muito nisso nos últimos tempos.

*HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO - JORNALISTA E PROFESSOR DE HISTÓRIA (www.mafuadohpa.blogspot.com).

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