Lula lê, eu leio

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Algo de livrarias que se fecham e mentes bitoladas, apequenadas

Lula lê, eu leio

Ler é algo indescritível, porém bestiais, os que nunca leram nem bula de remédio, esses sempre de plantão, insistem em procurar pelo em ovo junto aos que ainda o fazem.

O último a ser patrulhado foi o ex-presidente Lula, detido de forma injusta em Curitiba há exatos 60 dias e declarando nesse período ter lido mais de 21 livros. O fato por si é louvável. Soube ocupar muito bem o tempo disponível e o usou para ler e escrever.

Mereceria aplausos e louvações, mas os que navegam favoráveis a todo baú de maldade despejado sob os costados dos brasileiros nesse golpista momento, o ironizam. Primeiro, pela sua baixa escolaridade, o que é uma grande boçalidade, pois nunca se fez necessário ser diplomado para gostar de ler. Depois, porque quem o persegue dessa forma é de uma bestialidade beirando as raias do irracionalismo.

Estamos cheios desses, os que se acham, simplesmente por terem um mero diplominha, que na maioria das vezes não lhes serve para nada. Lula provou para o mundo todo que, mesmo sem diploma, fez mais pelo país que todos os demais letrados presidentes anteriores que nos governaram. Sem entrar em detalhes, até para não me alongar e ser repetitivo, sigo a conversa.

Falemos de leitores e leituras

Bauru possuía tempos atrás muitas livrarias e hoje, a contagem é pífia. A população cresceu e diminuiu o número de livrarias. A Jalovi mantém sua loja no centro, uma em cada shopping, uma loja pequena na Getúlio e outra num pequeno shopping entrada dos condomínios. A única universidade com livraria é a USC, todas as demais fecharam. No centro da cidade, três sebos, o Literário, o do Bau e do seu filho. Na feira dominical, a Banca do Carioca mantém a tradição e vende muitos livros, principalmente quando falece alguém com acervo em bibliotecas pessoais. Ele corre atrás, logo tudo disponibilizado pelas famílias a preço de banana (subiu agora, né?). Não passa disso. Sem contar as bancas de jornais e revistas que, de mais de quarenta, hoje, menos de quinze na cidade e muitas se mantendo abertas por causa da venda de figurinhas da Copa do Mundo.

Eu continuo lendo e muito. E o faço porque sei do quanto me faz bem essa prática, diria, vicio. Vasculho tudo quanto é canto onde possa encontrar algo e trago para o mafuá, onde a lista de espera é grandiosa. Com o final do mestrado, li menos literatura variada e mais leitura específica. Liberto, voltei à carga e com o acirramento do diálogo pessoal, principalmente pelas redes sociais, meu refúgio se faz pela leitura. Nela me encontro e reencontro. Não saio de casa sem algo para ler, levando algo para filas de bancos, vasos sanitários, paradas em sinais de trânsito, restaurantes, etc. Não vivo sem isso e vejo que Lula acertadamente escolheu algo essencial para os dias onde está sendo obrigado pelos bestiais de plantão a permanecer isolado do convívio das ruas. Ele sabe que essa junção é mais que explosiva, leitura e ruas. Antes de criticar e descer a lenha, algo muito comum dos despirocados hoje, gostaria imensamente de saber o que Lula leu. O imagino lendo biografias, algo de História, indicação de amigos e livros recebidos, pois sei, ele deve ganhar muita coisa para ler e como não tinha tempo, aproveita e se aesbalda. Alguns me passam esses títulos:

1 - Elite do Atraso, Jessé de Souza
2 - O amor nos tempos de cólera – Gabriel García Márquez
3 - O último cabalista de Lisboa – Richard Zimler
4 - Homo Deus – Uma breve história do Amanhã – Yuval Noah Harari
5 - Raízes do Brasil – Sérgio Buarque de Hollanda
6 - O Voto do Brasileiro – Alberto Carlos Almeida
7 - A verdade vencerá: o povo sabe por que me condenam – Juca Kfouri, Maria Inês Nassif e Gilberto Maringoni

Encerro com algo singelo que li num dos posts sobre o assunto e indico também como leitura: “A elite brasileira não sabe ler”, diz seu autor. Não sabe, não lê e ainda critica quem o faça. Eis um dos motivos para estarmos na nhaca atual.

Junto na foto de Lula outras de minha lavra, com os últimos livros lidos por esse mafuento HPA, espalhados em meu sofá e todos grifados com canetas marca textos amarelas. Quando o diálogo rareia, a leitura é meu escape. Não sei o que seria de mim sem a leitura.

Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com).

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