Das reações do povo

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a revolta parecia não ser a pelo que os deputados votavam e descaradamente foi aprovado

Das reações do povo

Dizem ser o povo brasileiro cordial, tese de Sérgio Buarque de Hollanda, dita lá pelos anos 30, muitas décadas atrás. Mas o que aconteceria com esse povo nos dias de hoje, quando um ilegítimo desgoverno tomou o poder e se sustenta só com medidas impopulares, cada dia cravando uma nova estaca no peito do povo e esse não reagindo? A inércia tem explicações e vai além da tal cordialidade.


Ainda de ontem, a revolta parecia não ser a pelo que os deputados votavam e descaradamente foi aprovado o envio da reforma da Previdência como sugerida para o plenário depois votar, impedindo que o povo ainda se aposente em vida. Quem adentrava as redes sociais se deparava com outro tipo de revolta, a dos que não aceitavam de jeito nenhum ficar algumas horas sem o atributo do WhatsApp. Muitos queriam quebrar tudo, mas pouco vi e li sobre querer quebrar tudo pelo que fazem com nossas vidas.


Os que legislam hoje contam com pouca participação popular em suas decisões. Cada um votou numa pessoa, depois esquece e o deixa ao “deus dará”, ou seja, ele faz o que quiser. Lindo ler a matéria publicada aqui pelo Jornal da Cidade de Bauru sobre a maior participação das mulheres nas Câmaras de vereadores. Pirajuí foi destaque, mas do outro lado dessa questão reside o fato principal. Importa sim, as mulheres participarem mais e mais da vida política, mas mais que isso, como cada um desses eleitos, homens e mulheres atuam, como votam, o que fazem no dia a dia legislativo? Essa a grande questão, aliados a que eles todos?


Enfim, você sabe como atua a pessoa que você elegeu? Acompanha o que faz? Ele (a) é merecedor (a) do seu voto? Escrevo isso e faço uma alusão ao que ocorreu ontem no Congresso Nacional, quando trabalhadores ligados ao setor dos agentes penitenciários (quantos de Pirajuí estavam por lá?) fizeram e aconteceram dentro do recinto e até paralisaram as atividades. Diante de tudo o que aprovam e do jeito que o fazem, me digam, a quanto tempo nada parecido acontece em sua cidade? Lá em Brasília, não só sendo decidido o destino da Previdência, mas também o futuro do emprego como o conhecemos, pois é mais do que sabido, ele está se findando, minguando e em vias de extinção. Adeus Justiça do Trabalho, adeus proteção ao emprego, o que valerá daqui por diante será a livre negociação entre empregador e empregado e nela, sabe-se, o mais forte sempre ganha.


E diante de tudo isso, a preocupação é com a soltura do Zé Dirceu (outros tantos muito piores que ele nem foram presos) e com WhatsApp fora do ar. Nem contestar a informação como é recebida hoje via TV, rádio e jornal fazemos mais? Quem ainda confronta a informação com várias fontes levante o braço? Como reagir diante de tudo se a maioria ainda acredita piamente do que lhe diz o Jornal Nacional? Daí, ver vereadores fazendo o que querem com seus mandatos é só o começo, pois isso se prolonga por tudo o mais. Deixando esses fazerem tudo como o fazem estamos entregando o país de bandeja para sua total destruição. Essa cordialidade, mais próxima da passividade é explicada. Viramos meras marionetes e existe até medo em querer reagir, daí discutir futilidades pelas redes sociais é muito mais cômodo do que protestar, colocar o bloco na rua e a cara para bater.


Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com)

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